O inconsciente é o inferno, morada do demônio.
Freud (em “Uma neurose demoníaca do século XVII”, texto de 1923) aponta que os casos de possessão diabólica corresponderiam às neuroses, sendo, o diabo, aqueles incômodos desejos rechaçados ou as ramificações de ideias recalcadas.
As coisas projetadas no mundo externo na forma de diabo, na verdade, habitam a vida íntima do sujeito. E, na cultura Ocidental desde o século XI, entre as diversas funções desempenhadas pelo mito do diabo parece que a mais ampla é a de representar os desejos proibidos.
Os pecados seriam atos do demônio e não dos pecadores em sã consciência, ou inconscientemente. Isso caracteriza uma alienação da pessoa quanto a sua diversidade e quanto a sua unicidade, dificultando o acesso à condição de sujeito. Se isso isenta as pessoas de terem que assumir características desagradáveis, aliena-as de seus desejos e das lutas para validá-los ou sublimá-los, tanto quanto as aliena de seus conflitos.
Como os elementos inconscientes se valem do relaxamento da censura, durante o sono, para atuar na composição onírica, o diabo se valeria do relaxamento religioso e/ou moral para infernizar os pecadores. Em um caso ou em outro, são os valores de cada sociedade que determinarão o que deve ser rechaçado da consciência ou do comportamento.
Os elementos inconscientes estão ligados aos tabus, que representam, em cada cultura, os desejos banidos. Segundo Ginzburg (1991, p. 15), o antropólogo K. Thomas pensa de modo semelhante:
As coisas projetadas no mundo externo na forma de diabo, na verdade, habitam a vida íntima do sujeito. E, na cultura Ocidental desde o século XI, entre as diversas funções desempenhadas pelo mito do diabo parece que a mais ampla é a de representar os desejos proibidos.
Os pecados seriam atos do demônio e não dos pecadores em sã consciência, ou inconscientemente. Isso caracteriza uma alienação da pessoa quanto a sua diversidade e quanto a sua unicidade, dificultando o acesso à condição de sujeito. Se isso isenta as pessoas de terem que assumir características desagradáveis, aliena-as de seus desejos e das lutas para validá-los ou sublimá-los, tanto quanto as aliena de seus conflitos.
Como os elementos inconscientes se valem do relaxamento da censura, durante o sono, para atuar na composição onírica, o diabo se valeria do relaxamento religioso e/ou moral para infernizar os pecadores. Em um caso ou em outro, são os valores de cada sociedade que determinarão o que deve ser rechaçado da consciência ou do comportamento.
Os elementos inconscientes estão ligados aos tabus, que representam, em cada cultura, os desejos banidos. Segundo Ginzburg (1991, p. 15), o antropólogo K. Thomas pensa de modo semelhante:
“Num nível menos inacessível, todavia, reconheço que é preciso atribuir mais justiça ao simbolismo da magia popular. A mitologia da fetiçaria - o vôo noturno, a escuridão, a metamorfose em animais, a sexualidade feminina - nos diz algo sobre os critérios de valor das sociedades que nela acreditavam, os limites que pretendiam manter, o comportamento dos instintos que imaginavam dever reprimir”.
É como se o inconsciente fosse o inferno, morada do demônio. As ideias recalcadas e as formações do inconsciente são, de fato, manifestações diabólicas, carentes de intervenção capaz de organizá-las no universo simbólico. Le Goff (1990, p. 59) diz que as tentações diabólicas “exprimem-se nos corpos adormecidos com os sonhos e as visões que durante tanto tempo impressionaram os homens da Idade Média”.
Texto de Bernardo Monteiro de Castro

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