sábado, 23 de setembro de 2017

Peloponeso

Um dos maiores conflitos do mundo antigo
Zueiras Históricas, A Zueira Contra-ataca
Aqui estou, com aqueles textos longos (2200 palavras esse) sobre algum assunto que acho interessante. Saudades tempo livre pra traduzir textos como esse (Universidade não deixa  )
Imagem:
Amarelo - Atena e seus aliados
Rosa - Esparta e a liga do peloponeso
Azul - Cidades-estado neutras
Roxo - Império Persa
Salmão - Macedônia
Algumas coisas para que não fiquem confusos: Ática e Peloponeso são regiões na Grécia. Nessa época, a Ática histórica era uma península assim como o Peloponeso. Aríete era uma arma usada em cercos para tentar arrombar portões ou muralhas. Paliçadas eram um conjunto de estacas de madeira usadas para proteção. E basicamente, quase todo nome de algum local nesse texto se refere a alguma cidade-estado grego na época. Se tiver algum termo mais confuso, pode avisar nos comentários que edito ou coloco no início do texto o significado.
As Guerras do Peloponeso
As guerras do peloponeso foram travadas por Atenas e Esparta e seus respectivos aliados. A primeira parte das guerras ocorreu entre 460 e 446 a.C e a segunda etapada – e mais significante – ocorreu entre 431 e 404 a.C. Com batalhas ocorrendo localmente e no exterior, o conflito foi desastroso para ambos os lados, mas Esparta – com ajuda financeira da Pérsia – finalmente venceu o conflito com a destruição da frota ateniense em Aegospotami em 405 a.C.
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Causas da guerra.
No século V a.C, Esparta e Atenas eram as maiores potências na Grécia e era inevitável que suas esferas de influências colidiriam e causariam conflito. Esparta estava preocupada com o crescimento do poderio ateniense, pois essa cidade-estado fora capaz de construir uma frota cada vez maior de navios graças aos tributos de seus aliados e dependentes. Esparta também estava preocupada com o projeto ateniense de reconstruir as longas fortificações que protegiam seu porto no Pireu. Além disso, Esparta também estava preocupada que a inatividade faria com que o outro poder grego – Corinto – se aliaria à Atenas.
O que ficou conhecido como A Primeira Guerra do Peloponeso (460 a.C– 446 a.C) foi menos intensa que a segunda e foi lutada principalmente entre Atenas e Corinto, com intervenções raras de Esparta. A guerra foi seguida pela paz de trinta anos – mesmo que, em realidade, as hostilidades nunca pararam completamente – e a guerra total recomeçou em 431 a.C.
Um ponto crítico nas relações entre Esparta e Atenas foi em Potideia em 432 a.C. Atenas queria madeira e minerais da Trácia, então exigiu que Potideia removesse suas fortificações. Os Potideianos pediram proteção Espartana e receberam uma promessa de assistência. Atenas então cercou a cidade, e após um curto período de tempo, publicou os Decretos de Mégara. Esses decretos impediam que Mégara (cidade-estado) usasse qualquer porto ateniense – ou de aliados atenienses -, efetivamente colocando um embargo comercial na cidade-estado. Esparta, um aliado antigo de Megara, pediu que Atenas revogasse os decretos, pois esses fariam Megara totalmente dependente de Atenas. Os atenienses - persuadidos por Péricles - recusaram, mas os espartanos se conteram e não declararam guerra formalmente, talvez por não estarem preparados para um conflito longo. Na verdade, as hostilidades começaram quando Tebas atacou Plateia, um aliado de Atenas, e em 431 a.C, o exército peloponeso liderado pelo rei espartano Archidamos invadiu e saqueou Attica. A guerra tinha recomeçado.
A arte da guerra na Segunda Guerra do Peloponeso era mais sofisticada e mais mortal com as convenções de guerra (algo do tipo que não se poderia ser feito em guerra, como um crime de guerra em termos atuais) sendo quebradas, resultando em atrocidades nunca antes vistas nas guerras gregas. Os civis se envolveram muito mais na guerra e corpos dos cidadãos podeiram ser destruídos – como aconteceu em Mykalessos na Boetia. Logo, o número de casualidades nas guerras, foi muito maior do que qualquer conflito anterior da história grega.
Os protagonistas: Atenas
Seguindo as guerras persas do início do século V a.C, as cidades-estado gregas (ou pólis) começaram a se aliar em alianças defensivas. Muitos ficaram do lado de Atenas, principalmente as cidades-estado de Jônia, e juntos, formaram a Liga de Delos em torno de 478 a.C. A liga, em seu ápice, era composta de mais de 300 membros que pagavam tributos à Atenas, o maior poder naval na Grécia, em forma de barcos ou dinheiro em troca de proteção ateniense contra a ameaça persa ou contra piratas mediterrâneos. O tesouro da liga foi colocado na Ilha sagrada de Delos.
Começando com a repressão de Naxos, no entanto, a liga rapidamente mudou e parecia mais com um Império Ateniense do que uma aliança de aliados iguais. Isso foi confirmado com a mudança do tesouro da liga para Atenas em 454 a.C. As consequências prática da liga foram: a marinha ateniense poderia atacar qualquer lugar, especialmente após a derrota do poder marítimo rival, Egina, ocasionando um grande problema de suprimentos para várias cidades na área, especialmente Corinto.
Esparta
O treinamento militar árduo dos espartanos, que começava da idade de sete anos resultava em um exército profissional de hoplitas disciplinados com uma grande capacidade no campo de batalha, o que os fez serem temidos por toda a Grécia. Um fato evidenciado, talvez, pela falta de fortificações ao redor de Esparta.
A instabilidade regional na Grécia, no fim do século VI a.C, ocasionou na Liga do Peloponeso (505 a.C até 365 a.C), que era um grupo formado por Corinto, Élida, Tégea e outras cidades-estado (mas nunca Argos) onde cada membro jurou que teria os mesmos inimigos e aliados dos espartanos. A Associação à liga não necessitava no pagamento de tributos à Esparta, mas sim o fornecimento de tropas que iriam ficar sob o comando espartano. A liga permitiria a hegemonia e dominação espartana na Península do Peloponeso até o século IV a.C.
Inovações na guerra
Como todos os grandes conflitos, a Guerra do Peloponeso permitiu mudanças e desenvolvimento na arte da guerra. Os fortemente equipados hoplitas nas formações das falanges (linhas de hoplitas protegendo uns aos outros com escudos) ainda eram dominantes no campo de batalha grego, mas as falanges se tornaram mais profundas (mais linhas de homens) e mais largas durante a Guerra do Peloponeso. A dominação dos hoplitas foi ameaçada pelo desenvolvimento de táticas usando tropas mistas – hoplitas, infantaria leve e cavalaria -, uma tática que se tornou mais difundida (popular e usada).
Outros desenvolvimento na guerra incluía um aumento no uso de escravos, mercenários e estrangeiros nos exércitos gregos, melhores logísticas permitiu que os exércitos ficassem mais tempo no campo de batalha, e uma maior atenção em habilidades e experiência na hora de escolher líderes militares. As armas não se desenvolveram tanto em relação aos conflitos anteriores, no entanto, houve exceções como o lança-chamas, que foi usados contra as fortificações de madeira em Délio em 424 a.C.
Invasão Espartana em Ática
Com um lado usando predominantemente um exército e o outro, um poder marítimo, não é surpresa alguma que a guerra durou décadas com vitórias indecisivas e ataques ineficazes. A principal estratégia espartana era de atacar anualmente as terras atenienses, como a destruição de fazendas, o corte de oliveiras e vinhedos. No entanto, o efeito disso na economia ateniense é incerto, especialmente considerando que a cidade poderia ser sempre reabastecida por mar com o uso do porto de Pireu, protegido por longas muralhas. Pode ter sido uma estratégia espartana em atrair os atenienses para fora das fortificações e enfrentá-los no campo de batalha, uma tentação que atenas – e principalmente Pericles – sempre resistiu. Atenas poderia se vingar – e o fez -, desembarcando tropas usando seus navios em território espartano e inflingindo dano similar.
Atenas foi atingida por uma praga devastadora (chegando do Egito através da Pérsia) em 430 a.C e Esparta adiou sua invasão anual para evitá-la. No mesmo ano, Péricles foi expulso e Atenas tentou conseguir paz, mas essa foi rejeitada por Esparta. No entanto, sob o comando de Cléon e Nícias, os atenienses conseguiram uma campanha vitoriosa no golfo de Corinto em 428 a.C, e após isso, as esperanças de uma vitória rápida espartana era somente uma ambição sem chances de sucesso.
Cercos
Os cercos eram outra característica comum da Guerra do Peloponeso. Os mesmos já eram uma característica das guerras gregas, mas aumentaram drasticamente em número durante a Guerra do Peloponeso, com cerca de 100 e 58 foram cercos vitoriosos (para os atacantes). As estratégias de cercar uma cidade envolvia duas estratégias principais: Atacar a cidade diretamente (até a desistência dos defensores ou as muralhas serem destruídas) e cercar a cidade com uma muralha (até os habitantes da cidade passarem fome e se renderem). Na última estratégia, também havia a esperança de haver traições e lutas internas, assim comprometendo os defensores. A segunda estratégia era mais custosa e durava mais tempo, pois ás vezes demorava anos para se obter sucesso. Se uma cidade finalmente fosse conquistada, morte ou escravidão eram os destinos habituais para os derrotados.
A próxima ação na guerra foi o Cerco à Plateia – entre 429 e 427 a.C -, que tinha elementos de ambas as estratégias de cerco. Primeiramente, as forças peloponesas usaram táticas mais agressivas, através do bloqueio da cidade com paliçadas de madeira e construindo uma rampa de terra para prejudicar as muralhas. Os habitantes de Plateia responderam à essa ameaça através da construção de muralhas maiores. As tropas peloponesas então usaram aríetes contra as muralhas, mas os defensores impediram os atacantes jogando vigas em correntes para quebrar os aríetes. Os atacantes então decidiram usar a estratégia do cerco demorado. Uma estratégia que foi vitoriosa, pois os habitantes se renderam, mas somente após dois anos.
A Guerra continua
Em 428 a.C, Atenas esmagou impiedosamente uma revolta em Lesbos envolvendo a cidade de Mitilene e em 427 a.C, a queda de Plateia foi seguida por uma guerra civil em Cércira e por uma tentativa galha de apoiar Leontinoi na Sicília. Em 426 a.C, Demóstenes liderou 40 trirremes em uma campanha em Pilos (eles estavam na verdade indo para a Sicília), onde eles derrotaram os Espartanos ocupando Esfactéria. Em 424 a.C, os atenienses lançaram uma ofensiva contra Mégara e Beócia, mas essa ofensiva falhou e envolveu uma derrota custosa perto de Délio. Atenas, no entanto, conseguiu conquistar a ilha espartana de Citera. Os espartanos também obtiveram sucessos, agora comandados por Brásidas e usando hoplitas não-espartanos pela primeira vez, eles capturaram várias cidades-estado em Ática, especialmente Anfípolis – apesar de Cléon e Brásidas serem mortos na batalha.
Em 423/421 a.C, uma trégua foi proposta e uma paz de 50 anos foi acordada. Houve algumas mudanças territoriais em ambos os lados, mas a situação retornou ao estado anterior à guerra. No entanto, comandantes individuais se recusaram a entregar as cidades e uma aliança foi formada entre Mantineia, Argos, Élida, Corinto e Cálquida. Em 420 a.C, Esparta formou uma aliança com Beócia. Nesse mesmo ano, o novo líder ateniense, Alcibíades, negociou uma aliança entre Atenas, Argos, Élida e Mantineia. Parecia muito que ambos os lados estavam se preparando para recomeçar a guerra.
Em 418 a.C, houve uma grande batalha em Mantineia, onde Esparta, liderada por Ágis II, derrotou Argos e seus aliados. A guerra seguiu um aspecto mais brutal com Esparta matando todos os cidadãos de Hysiai (417/16 a.C) e Atenas, no mesmo período, executando os cidadãos de Melos.
A expedição siciliana
Em 415 a.C, o general ateniense Alcibíades era o comandante da invasão da Sicília, a maior operação em toda a guerra. Atenas queria a madeira siciliana para sua frota e o pretexto para o ataque foi a solicitação de ajuda da pequena pólis de Segesta, que procurava proteção de Siracusa. No entanto, na véspera da partida, Alcibíades foi acusado em sérias acusações de impiedade e foi retirado do comando. Não querendo enfrentar o que o mesmo pensava que seria um julgamento tendencioso, Alcibíades fugiu para Esparta. A operação militar continuou sob o comando de Nícias, mas foi um fracasso. Um cerco inefetivo foi quebrado por um exército espartano liderado por Glypus. A frota ateniense foi derrotada no porto de Siracusa e Nícias e Demóstenes foram executados em 413 a.C.
Batalha de Egospótamo e Vitória
Atenas ainda não estava derrotada ainda e continuava a atacar o Peloponeso pelo mar. Esparta, seguindo o conselho de Alcibíades, construiu um forte em Deceleia para piorar a agricultura de Ática com seus saques anuais e ataquem em terras agrícolas desse local. Ágis fez seu quartel general em Deceleia e recebeu enviados de várias cidades-estado desejando se retirarem da Liga de Delos, particularmente Quios e Mileto. A Pérsia fez propostas à Esparta, oferecendo dinheiro para construir uma frota que poderia enfrentar Atenas, em troca do reconhecimento da soberania persa na Ásia menor (atual Turquia).
A guerra foi finalmente vencida por Esparta, então, e talvez ironicamente, em uma batalha marítima. Após várias derrotas navais contra os atenienses e uma proposta de paz – rejeitada – após a derrota de Alcibíades em Cízico em 410 a.C, Esparta foi capaz de construir uma frota imensa de 200 trirremes usando o dinheiro e madeira persa. Com essa arma formidável, Lisandro foi capaz de inflingir uma derrota final e total nos atenienses em Egospótamo, perto do Helesponto em 405 a.C, onde 170 barcos atenienses foram capturados na praia e quase 3000 atenienses presos foram executados. Agora, incapaz de tripular outra frota, com a Liga de Delos dissolvida e a própria cidade de Atenas sob cerco, os atenienses não tiveram opção a não ser tentar um acordo de paz. As condições de paz foram a desmontagem da longas muralhas, a proibição da reconstrução de uma frota maior que 12 navios e o pagamento de tributo à Esparta, que era agora, finalmente, reconhecida por todos como o poder dominante da Grécia.
Consequências
A posição espartana como poder dominante na Grécia, no entanto, durou pouco tempo. As constantes ambições espartanas no norte e na Grécia central, ásia menor e sicília, novamente, levou a cidade-estado a outro conflito longo, A Guerra de Corinto com Atenas, Tebas, Corinto e Pérsia de 396 a.C até 387 a.C. O resultado desse conflito foi a Paz de Antálcidas, em que Esparta cedeu seu império ao domínio persa, mas foi deixada para dominar a Grécia. No entanto, tentando esmagar Tebas, Esparta perdeu a importante batalha de Leuctra em 371 a.C, contra o brilhante general tebano Epaminondas. Talvez, o verdadeiro vencedor das Guerras do Peloponeso foi, na verdade, a Pérsia. E a longo prazo, até a Macedônia sob o comando de Filipe II foi capaz de esmagar com relativa facilidade as fracos e mutuamente suspeitas cidades-estado gregas.
Fonte: Ancient.eu
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